Sem o dispositivo há três anos, pelo menos 60 pacientes aguardam tratamento e alguns podem precisar passar por cirurgia de peito aberto
O Japão enfrenta uma crise no tratamento de pacientes com doenças cardíacas congênitas devido à falta de stents usados para ampliar vasos sanguíneos. Segundo uma equipe de pesquisadores do país, pelo menos 60 pacientes, incluindo crianças e adolescentes, aguardam tratamento adequado há cerca de três anos.
Os stents são pequenos tubos metálicos em formato de malha que ajudam a manter os vasos sanguíneos abertos. Eles são usados em pacientes que apresentam estreitamento da aorta, da artéria pulmonar ou de outros vasos, condição que pode causar sintomas como falta de ar e dificuldade para realizar atividades físicas.
Em muitos casos, crianças com doenças cardíacas congênitas passam por cirurgia ainda na infância para corrigir os problemas. Porém, conforme crescem, parte desses pacientes volta a apresentar estreitamento dos vasos sanguíneos, necessitando da colocação de stents por meio de cateterismo, procedimento menos invasivo que uma cirurgia tradicional.
No Japão, os stents usados em crianças eram adaptados de modelos originalmente destinados ao tratamento de vasos sanguíneos das pernas de adultos. Entretanto, em julho de 2023, as vendas do produto foram interrompidas, principalmente por falta de rentabilidade para as empresas fabricantes.
Apesar de haver um pedido de aprovação de outro tipo de stent, ainda não existe previsão de quando o dispositivo estará disponível no país.
A pesquisa foi realizada pela Agência Japonesa de Pesquisa e Desenvolvimento Médico, que analisou dados de hospitais especializados em cirurgias cardíacas pediátricas. O levantamento identificou ao menos 60 pacientes, principalmente entre 10 e 19 anos, aguardando procedimentos que dependem do uso de stents.
Embora muitos consigam manter parte da rotina diária, vários enfrentam limitações físicas importantes, especialmente para praticar exercícios.
Nos casos mais graves, em que os pacientes apresentam falta de ar mesmo em repouso, as alternativas disponíveis são mais invasivas. Entre elas estão a cirurgia de peito aberto ou procedimentos temporários com balões para dilatar os vasos sanguíneos.
Os especialistas alertam que essas opções trazem maiores riscos e impactos na qualidade de vida. Muitos pacientes já passaram por cirurgias ainda bebês, e novas operações aumentam o risco de complicações, além de exigirem longos períodos de internação e recuperação.
O professor Takanari Fujii, especialista em cardiologia pediátrica da Universidade Médica Showa e integrante da equipe de pesquisa, classificou a situação como crítica. Segundo ele, é frustrante que tratamentos considerados padrão em outros países não estejam disponíveis no Japão.
Os pesquisadores também destacam que dispositivos médicos voltados para doenças pediátricas raras costumam ter baixa demanda comercial, levando empresas a abandonarem sua fabricação. Além dos stents, outros equipamentos usados em tratamentos cardíacos infantis também estão em falta no país.
