O MAGLEV em Shizuoka foi autorizado pelo governador Yasutomo Suzuki, encerrando um impasse de anos sobre o Chuo Shinkansen.
O governador da província de Shizuoka, Yasutomo Suzuki, aprovou em 7 de julho o início da construção do trecho local da linha de trem-bala maglev Chuo Shinkansen. A decisão coloca fim a um impasse que durava anos e que paralisava um dos projetos de infraestrutura mais ambiciosos do Japão.
A aprovação abre caminho para que a prefeitura e a Central Japan Railway Co., conhecida como JR Tokai, assinem um acordo formal de construção em 18 de julho. A empresa ferroviária informou que iniciará os trabalhos imediatamente após a conclusão dos procedimentos e, em seguida, anunciará uma nova data de inauguração da linha.
“O entendimento por parte dos moradores da prefeitura, dos municípios ribeirinhos e das organizações relacionadas tem progredido de forma constante. Considero que chegamos a um ponto em que podemos concluir o acordo”, disse Yasutomo Suzuki em seu discurso à assembleia da prefeitura.
O bloqueio ambiental e a mudança de gestão
A construção deste trecho estava bloqueada desde 2017 pelo ex-governador Heita Kawakatsu. A oposição era motivada por preocupações ambientais, especialmente o temor de que a escavação do túnel reduzisse o fluxo do rio Oi, uma fonte vital de água para a região.
A dinâmica do projeto mudou após a renúncia de Kawakatsu em maio de 2024, devido a comentários inapropriados. Suzuki assumiu o cargo e adotou uma postura focada no diálogo, destacando os benefícios econômicos e as vantagens na prevenção de desastres proporcionadas pelo maglev.
O avanço final ocorreu após a aprovação das medidas ambientais da JR Tokai por um painel de especialistas em março. O grupo aceitou todos os 28 itens de proteção ambiental exigidos pela prefeitura. A conclusão das sessões de esclarecimento público no final de junho foi o último passo para a liberação.
Detalhes da obra e desafios técnicos
O trecho de Shizuoka compreende 8,9 quilômetros dentro da prefeitura e faz parte do Túnel dos Alpes do Sul, que atravessa as províncias de Yamanashi, Shizuoka e Nagano. A obra corta a parte norte do distrito de Aoi, onde corre o rio Oi.
Esta é considerada uma das partes mais difíceis da construção. A profundidade da superfície até o túnel atinge um máximo de 1.400 metros na seção adjacente a Nagano. O plano original previa que apenas este trecho demoraria 10 anos para ser concluído.
O rio Oi é uma fonte essencial para a província, sendo responsável pela irrigação dos arrozais e dos tradicionais campos de chá da região. Por isso, a questão ambiental permaneceu no centro do debate durante todo o impasse.
Novo cronograma e preocupações remanescentes
Ao dar o sinal verde para o MAGLEV em Shizuoka, o governador reconheceu que ainda existem desafios a serem enfrentados. Ele pediu à JR Tokai que garanta uma construção compatível com a conservação dos recursos hídricos e do meio ambiente.
“Ainda existem pessoas com ansiedades e preocupações sobre questões como o impacto nos recursos hídricos. Como prefeitura, vamos abordá-las minuciosamente”, disse Suzuki.
O governo da prefeitura também planeja monitorar continuamente o processo de construção. A construção poderá começar ainda este ano, mas o cronograma geral sofreu alterações significativas.
O primeiro trecho da linha, que liga a Estação Shinagawa em Tóquio à Estação Nagoya, estava originalmente planejado para ser inaugurado em 2027. No entanto, a JR Tokai admitiu em março de 2024 que havia desistido de cumprir a meta. Com os novos atrasos, a inauguração do trecho entre Tóquio e Nagoya só deverá ocorrer em 2036, na melhor das hipóteses.
Com informações via Asahi Shimbun e Mainichi Shimbun
