Homenagens no Japão marcam os 4 anos do assassinato de Shinzo Abe

As homenagens pelos 4 anos do assassinato de Shinzo Abe reúnem cidadãos em Nara, enquanto o assassino aguarda a apelação da pena.

Um grande número de pessoas depositou flores nesta quarta-feira no local em Nara onde, há exatos quatro anos, ocorreu o assassinato de Shinzo Abe. O ataque fatal aconteceu em 8 de julho de 2022, perto da Estação de Yamato-Saidaiji, enquanto o ex-primeiro-ministro discursava em uma campanha eleitoral.

Moradores de diversas regiões compareceram ao altar erguido no local para prestar suas últimas homenagens. Um morador sexagenário da cidade de Kyoto afirmou que Abe foi um bom líder para o país e orou para que o falecido primeiro-ministro continue a zelar pelo Japão.

Outro jovem, também da capital cultural, refletiu sobre a passagem do tempo. Ele mencionou que os quatro anos transcorreram com muita rapidez e expressou o desejo de que a próxima geração compreenda a gravidade de perder um político importante devido a um ato de violência.

O assassino e a obsessão pela Igreja da Unificação

Enquanto as homenagens aconteciam, entrevistas realizadas na prisão com Tetsuya Yamagami, de 45 anos, revelaram um homem ainda obcecado pela queda da antiga Igreja da Unificação. Ele continua culpando a organização pela ruína de sua família.

Yamagami foi condenado à prisão perpétua em janeiro pelo Tribunal Distrital de Nara. No entanto, a defesa recorreu da decisão e o caso agora aguarda julgamento no Tribunal Superior de Osaka.

Tetsuya Yamagami, no Tribunal Distrital de Nara, em 21 de janeiro, ouve o juiz presidente ler a sentença que o condena à prisão perpétua. (Ilustração de Eri Iwasaki via ASAHI)

Em encontros com a imprensa desde o veredicto, o assassino se mostrou pouco preocupado com a própria sentença de prisão perpétua. Quando questionado sobre como se sentia com a pena, Yamagami respondeu de forma calma: “Bem, o Sr. Abe está morto…”.

Para o condenado, o destino da igreja parecia ser de maior interesse do que seu próprio futuro. Ele chegou a confessar que ficou ansioso até que a ordem de dissolução da organização fosse emitida.

A dissolução da Igreja e o novo julgamento

O desejo do assassino, de certa forma, se concretizou. Após uma decisão do Tribunal Distrital de Tóquio, o Tribunal Superior de Tóquio manteve a ordem de dissolução do governo para a igreja em março de 2026, iniciando seu processo de liquidação.

Yamagami explicou que, se seu irmão mais velho não tivesse cometido suicídio em oposição à igreja, ele provavelmente teria levado uma vida normal. A família enfrentava graves dificuldades financeiras devido às grandes doações feitas pela mãe à organização religiosa.

Sede da Igreja de Unificação (Arquivo Portal Mirai)

A expectativa é de que essa mesma questão seja fundamental no novo julgamento. A equipe de defesa foi reformulada e agora conta com um advogado da Rede Nacional de Advogados contra Vendas Espirituais, um grupo que combate os danos causados pela igreja.

A nova estratégia da defesa deve re-enfatizar a influência negativa que a igreja teve na família de Yamagami. Os advogados argumentarão que a prática da organização de solicitar doações repetidas e vultosas foi um fator determinante para o crime. O Tribunal Superior de Osaka deve agendar as datas de audiência após a análise dos argumentos escritos.

Com informações de: NHK World e Asahi Shimbun.