Fileiras de estruturas com formato semelhante a domos começaram a aparecer nos quintais de casas destruídas pelo terremoto de Kumamoto, no sudoeste do Japão. Chamadas de “Casas Instantâneas”, elas foram criadas para oferecer abrigo rápido a pessoas que ainda vivem em centros de evacuação ou dormem dentro de carros.
O projeto é liderado por Keisuke Kitagawa, professor da Escola de Engenharia Social do Instituto de Tecnologia de Nagoya. Ele espera instalar 120 unidades até o início do próximo mês para atender moradores afetados pelo terremoto de magnitude 7,1 ocorrido em 28 de julho.
“Quero oferecer casas adaptadas às necessidades das vítimas de desastres, dando a elas uma base para reconstruir suas vidas”, afirmou Kitagawa.
As estruturas podem ser construídas em apenas uma ou duas horas. Para isso, uma espuma de poliuretano, material utilizado para isolamento térmico, é aplicada na parte interna de uma lona inflável resistente ao fogo. A espuma endurece e forma a estrutura da casa.
As unidades são fixadas ao solo com parafusos e foram projetadas para resistir a ventos de até 130 metros por segundo. Cada casa tem aproximadamente 20 metros quadrados de área e cerca de 4,3 metros de altura.
O projeto é financiado por doações recebidas por meio do fundo patrimonial do instituto. Por isso, as casas são oferecidas gratuitamente às pessoas afetadas pelo desastre.
Outra característica do projeto é a possibilidade de construir as unidades próximas às antigas residências dos moradores. Dessa forma, as famílias podem permanecer perto de seus vizinhos e manter os vínculos com a comunidade.
Moradores deixam os carros
Yoshinori Hirayama, de 74 anos, perdeu sua casa na cidade de Hikawa, uma das áreas mais atingidas. Com medo de que sua propriedade fosse saqueada, ele e a esposa passaram mais de duas semanas dormindo dentro do carro estacionado no próprio terreno.
A situação era desconfortável. Além das dificuldades para dormir, o casal precisava abastecer o veículo a cada dois dias, o que aumentava os gastos e o desgaste da rotina.
Em meados de agosto, duas Casas Instantâneas foram construídas para Hirayama e para a família de seu filho, que mora nas proximidades.
Ao entrar pela primeira vez em uma das casas concluídas, o aposentado ficou impressionado com o espaço. “Posso me virar e me mexer o quanto quiser”, disse.
Projeto nasceu após desastre de 2011
A ideia das Casas Instantâneas surgiu há 15 anos, quando Kitagawa visitou um centro de evacuação em uma região do nordeste do Japão devastada pelo terremoto e pelo tsunami de 2011.
Na ocasião, ele conheceu um menino que reclamava da demora para a construção de moradias temporárias. O garoto pediu ao professor que construísse uma casa para ele até a semana seguinte.
A experiência levou Kitagawa a buscar uma solução que permitisse construir moradias de maneira rápida e com baixo custo. Depois de cinco anos e meio de desenvolvimento, o projeto foi concluído.
Cerca de 300 unidades foram instaladas após os terremotos e as fortes chuvas que atingiram a região da península de Noto, em Ishikawa, em janeiro e setembro de 2024.
Em Kumamoto, o projeto também procura enfrentar as condições do verão. Como as temperaturas estão elevadas, aparelhos de ar-condicionado estão sendo instalados gratuitamente nas casas.
A construção das unidades é feita por empresas locais. Segundo os responsáveis pelo projeto, isso também contribui para a geração de empregos na região atingida pelo desastre.
Kitagawa afirma que melhorar as condições de vida das vítimas o mais rapidamente possível pode ajudar a evitar mortes relacionadas às consequências de um desastre.
“Se as condições de vida puderem melhorar um pouco mais cedo, poderemos eliminar as mortes relacionadas aos desastres”, afirmou.
O professor disse ainda que pretende continuar aperfeiçoando as casas para reduzir tanto os custos quanto o tempo necessário para a construção.
