Japão fracassa no combate ao crime enquanto endurece leis fúteis

Obcecada em eliminar a Yakuza, o Japão ignora surgimento de novos grupos criminosos, que já causam prejuízos recordes. Mas a maior preocupação das autoridades dentro e fora da Dieta é endurecer a lei de direitos autorais. Ou então, encarecer taxas da NHK.

Por CE Rodrigues

A Agência Nacional de Polícia (NPA) divulgou nesta quinta-feira, dia 3, dados que mostram que o número de membros e afiliados da Yakuza caiu para um recorde de apenas 18.800 indivíduos no final de 2024. Mas essa aparente “vitória” esconde um problema muito maior: enquanto o governo focava obsessivamente em esmagar a máfia tradicional, novos grupos criminosos cresceram sem controle, operando de forma anônima e com estruturas descentralizadas.

O resultado? Em 24, mais de 10.105 membros de grupos criminosos anônimos, chamados “tokuryu”, foram investigados por crimes lucrativos, como roubos violentos e fraudes financeiras. As perdas causadas por esses grupos ultrapassaram ¥200 bilhões (US$ 1,4 bilhão).

A Yakuza cai, mas o crime cresce
A polícia japonesa se orgulha de ter reduzido o número de membros da Yakuza abaixo de 20.000 pela primeira vez desde 1958, mas isso não significa que o Japão se tornou mais seguro.

Pelo contrário:
– 3.925 criminosos foram recrutados via redes sociais com promessas de empregos ilegais lucrativos.
– Apenas 633 indivíduos foram identificados como “coordenadores”, sugerindo que os verdadeiros chefes desses grupos continuam inalcançáveis.
– Fraude financeira (2.655 casos) e roubos (348 casos) aumentaram drasticamente.

Até mesmo ex-membros da Yakuza estão se infiltrando nos tokuryu, garantindo que o crime organizado continue lucrando.

Enquanto isso, o Japão endurece leis irrelevantes, como punições absurdamente rígidas para infrações de direitos autorais, transformando cidadãos comuns em criminosos por baixarem um GIF ou remixarem uma música no YouTube. O país agora persegue mais agressivamente pessoas que baixam anime ilegalmente do que os verdadeiros chefes do crime organizado, como se a pirataria o sustentasse, o que é só uma desculpa esfarrapada de grandes corporações que lutam para limitar a criatividade na internet.

Falta inteligência, sobra burocracia
O Japão sempre foi elogiado por sua baixa taxa de criminalidade, mas esses novos dados provam que a estratégia policial e legal falhou miseravelmente. Ao focar exclusivamente na Yakuza, a NPA permitiu que novas redes criminosas crescessem sem qualquer resistência.

A pergunta que fica é: quanto tempo mais a polícia japonesa vai ignorar o verdadeiro problema e continuar gastando recursos com leis inúteis?