O escândalo de adulteração de dados na Chubu Electric provocou a renúncia da diretoria e o cancelamento do relançamento da usina.
A diretoria da Chubu Electric anunciou a retirada dos pedidos de vistoria para reativar os reatores três e quatro da usina nuclear de Hamaoka. A decisão ocorreu logo após a divulgação de um relatório independente que comprovou a manipulação de dados sísmicos pela empresa. De acordo com os investigadores, funcionários alteraram registros técnicos sobre terremotos para facilitar a aprovação regulatória junto às autoridades de segurança.
O presidente Kingo Hayashi e o chairman Satoru Katsuno deixam seus respectivos cargos para assumir a responsabilidade pelas irregularidades graves. Assim, o executivo Minoru Yasui assume a liderança da companhia a partir de outubro para tentar reestruturar a imagem institucional. No entanto, o comitê externo revelou uma cultura interna que pressionava engenheiros a acelerar cronogramas sem o devido rigor técnico.
Fraudes sistemáticas e omissão de alertas
Os advogados que compõem a comissão denunciaram a existência de avisos internos feitos por funcionários entre os anos de 2019 e 2021. Porém, a alta gestão ignorou os alertas de irregularidade e manteve explicações falsas perante os órgãos de fiscalização do governo. “Estou profundamente arrependido”, disse Kingo Hayashi durante uma coletiva de imprensa realizada em Nagoia.
O relatório de 250 páginas detalhou um padrão corporativo preocupante envolvendo a adulteração sistemática de custos e relatórios operacionais. Dessa forma, os técnicos reduziam artificialmente o impacto estimado dos tremores de terra nos estudos preventivos. Nesse sentido, a usina permanece desativada desde o desastre ambiental de 2011, acumulando forte rejeição entre os moradores da cidade de Omaezaki.
Repercussão no governo e no setor energético
O porta-voz do governo, Minoru Kihara, confirmou que as agências reguladoras adotarão medidas severas contra a concessionária de energia. Embora o escândalo afete o setor elétrico, a administração central mantém a meta de usar fontes descarbonizadas no país. Por outro lado, analistas locais consideram quase impossível obter autorização para o funcionamento da central atômica no curto prazo.
Moradores e líderes comunitários da região de Tokai demonstram total desconfiança em relação às promessas de reformulação da companhia elétrica. Portanto, a troca no comando executivo dificilmente alterará a visão negativa da população sobre a segurança do complexo. Por fim, o caso enfraquece os planos do país de expandir a matriz nuclear para suprir o aumento na demanda de eletricidade.
Siga-nos nas redes sociais: Instagram, Facebook, YouTube e X.
