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Japão vai investigar condições de cafés onde clientes interagem com animais raros

Governo fará primeiro levantamento nacional sobre estabelecimentos e poderá criar novas regras para proteger clientes, animais e espécies ameaçadas
Cíntia Alves 25/08/2026

O Ministério do Meio Ambiente do Japão deve iniciar já em setembro uma pesquisa sobre as condições dos chamados “cafés de animais”, estabelecimentos onde clientes podem interagir diretamente com animais. O governo pretende avaliar os riscos para os consumidores, o bem-estar dos animais e possíveis impactos sobre a conservação de espécies.

Cafés que permitem contato com lontras, corujas, lagartos e outros animais abriram em diferentes partes do Japão. A popularidade desses estabelecimentos também aumentou entre turistas estrangeiros. Ao mesmo tempo, especialistas e organizações ambientais têm alertado para riscos de infecções, ferimentos e condições inadequadas de criação.

Será a primeira vez que o governo nacional japonês fará um levantamento específico para conhecer a situação desses estabelecimentos. Com base nos resultados, o Ministério do Meio Ambiente estudará como esse tipo de negócio deve ser regulamentado.

Governo quer conhecer número e condições dos estabelecimentos

Na primeira etapa, o ministério pretende verificar quantos estabelecimentos têm como principal atividade o contato dos clientes com animais, quais espécies são mantidas nesses locais, como é feito o controle de higiene e qual é o perfil dos frequentadores.

Para o ano de 2027, o governo considera ampliar a investigação com entrevistas com os responsáveis pelos estabelecimentos e inspeções presenciais.

A iniciativa ocorre diante de preocupações de que animais silvestres possam ser mantidos em espaços pequenos ou submetidos a períodos prolongados de contato com clientes, provocando estresse excessivo.

Também existe o temor de que a procura por espécies raras incentive a captura de animais na natureza e o comércio ilegal de espécies protegidas.

Espécies ameaçadas já foram encontradas em estabelecimentos

Uma pesquisa divulgada em 2025 pelo WWF Japão apontou que espécies ameaçadas incluídas na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) e espécies protegidas pela Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção (CITES) estavam sendo exibidas em vários estabelecimentos do país.

O levantamento também identificou problemas de higiene em alguns locais. Em determinados animais expostos aos clientes foram encontrados vários agentes causadores de doenças, incluindo bactérias do gênero Salmonella.

Os resultados aumentaram as preocupações sobre os riscos de permitir o contato direto entre o público e animais silvestres.

Japão tem regras mais flexíveis

Alguns países adotam medidas mais restritivas. Na Bélgica e nos Países Baixos, existem limitações sobre quais espécies de animais silvestres podem ser mantidas. A Coreia do Sul, por sua vez, proíbe os próprios cafés de animais.

Em comparação com esses países, o Japão possui regras consideradas mais flexíveis. Por isso, o país passou a ser descrito como um dos principais destinos para cafés de animais silvestres, atraindo também muitos visitantes estrangeiros.

A legislação japonesa sobre bem-estar e manejo de animais estabelece regras para empresas que mantêm mamíferos, aves e répteis. As normas tratam de instalações, cuidados com a saúde e outras condições de criação.

Para mamíferos que não sejam cães e gatos, as regras já foram estabelecidas e também se aplicam aos cafés de animais. Entre as exigências estão o limite de 12 horas por dia para a exposição dos animais, a disponibilidade permanente de espaços onde eles possam se afastar dos clientes e a orientação dos frequentadores sobre como interagir com os animais.

Os estabelecimentos também devem exigir que os clientes higienizem as mãos.

Ainda não existem, porém, normas detalhadas específicas para aves e répteis.

Especialista defende regras mais rígidas

Yoshiki Ichikawa, professor assistente especialmente nomeado da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Hokkaido, afirmou que os estabelecimentos ainda não explicam nem administram de forma suficiente os riscos relacionados a doenças infecciosas.

Especialista em medicina veterinária forense, Ichikawa defendeu regras que garantam uma gestão mais completa da higiene e da segurança durante o contato entre clientes e animais.

Segundo ele, o governo também precisa deixar clara sua posição sobre a eficácia e a necessidade de oferecer aos consumidores a possibilidade de tocar e interagir diretamente com animais silvestres.

O levantamento previsto para começar em setembro deverá fornecer ao governo dados para avaliar se as regras atuais são suficientes ou se será necessário criar novas exigências para os cafés de animais no Japão.

Tags: Bélgica CafésdeAnimais CITES CoreiadoSul EspeciesAmeaçadas Hokkaido Japão PaísesBaixos UICN

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