A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, afirmou nesta quarta-feira que o país precisa acelerar a adoção de inteligência artificial (IA) e sistemas militares não tripulados pelas Forças de Autodefesa. A declaração ocorre antes da revisão, prevista para o fim deste ano, de três importantes documentos de segurança nacional.
Durante uma reunião com altos integrantes das Forças de Autodefesa, Takaichi disse que tecnologias como inteligência artificial e equipamentos não tripulados precisam ser incorporados mais rapidamente, devido ao ritmo de desenvolvimento muito diferente do observado nos equipamentos militares tradicionais.
Segundo a primeira-ministra, a revisão dos documentos deverá estabelecer uma nova direção para o fortalecimento das capacidades de defesa do Japão. O governo considera que o cenário de segurança na região está cada vez mais complexo, enquanto outros países ampliam o uso de sistemas militares integrados à inteligência artificial e de aeronaves não tripuladas.
Os atuais documentos de segurança foram elaborados em 2022 e tinham previsão de orientar a política japonesa pelos dez anos seguintes. Takaichi, porém, decidiu antecipar a revisão diante das mudanças no ambiente de segurança, especialmente dos desafios relacionados à China e à Coreia do Norte.
O Japão também enfrenta pressão do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para aumentar seus gastos militares.
No início desta semana, o Ministério da Defesa japonês apresentou um pedido recorde de orçamento de 8,89 trilhões de ienes, cerca de US$ 55 bilhões, para o ano fiscal de 2027, que começa em abril. Entre os planos estão o desenvolvimento de drones de ataque de baixo custo e a introdução de inteligência artificial na estrutura de comando das Forças de Autodefesa.
Takaichi também destacou a importância do apoio da população às mudanças. Segundo ela, as atividades das Forças de Autodefesa e o fortalecimento das capacidades de defesa promovido pelo governo dependem da compreensão e da cooperação da sociedade.
A primeira-ministra ainda prometeu melhorar as condições de trabalho dos integrantes das Forças de Autodefesa. A medida ocorre em meio a dificuldades para preencher vagas e manter o efetivo necessário.
Maior participação do setor privado
Um grupo de estudos ligado à Fundação da Paz Sasakawa, organização sem fins lucrativos com sede em Tóquio, defendeu nesta quarta-feira uma cooperação mais próxima entre o governo e empresas privadas na área de defesa.
O grupo reúne um ex-alto funcionário do Ministério da Defesa e antigos integrantes de alto escalão das Forças de Autodefesa. Em suas propostas, destacou que a colaboração com empresas privadas já se ampliou para áreas como fabricação e manutenção de equipamentos militares, operação de infraestrutura de comunicações, defesa cibernética, inteligência artificial, análise de dados e satélites.
A ampliação dessa parceria é considerada importante pelo governo japonês diante da necessidade de acompanhar o rápido avanço tecnológico na área militar.
Mudança na política de defesa
A revisão dos documentos ocorre menos de quatro anos depois da última atualização, feita em 2022. Na ocasião, o Japão decidiu adquirir capacidades para realizar contra-ataques, uma mudança significativa em relação à tradicional política de defesa exclusivamente orientada à proteção do território.
Também em 2022, o governo estabeleceu a meta de elevar os gastos com defesa para o equivalente a 2% do Produto Interno Bruto (PIB).
A reunião desta quarta-feira entre o Ministério da Defesa e os responsáveis pelo comando das Forças de Autodefesa foi a primeira realizada desde que Takaichi assumiu o cargo de primeira-ministra, em outubro do ano passado.
O encontro foi criado em 1964 e, durante décadas, ocorreu normalmente uma vez por ano. A tradição foi interrompida em setembro de 2019, enquanto em 2020 foi realizado de forma remota devido à pandemia de coronavírus.
