Os problemas de saúde mental de professores no Japão geram milhares de licenças médicas e sobrecarregam diretores de escolas.
Mais de sete mil docentes da rede pública japonesa se afastaram do trabalho devido a problemas de saúde mental de professores nos anos mais recentes. De acordo com dados do Ministério da Educação do Japão, sete mil e oitenta e sete profissionais tiraram licença médica no último ano letivo. Dessa forma, embora o apoio ao retorno seja prioridade, a carga sobre os administradores escolares aumentou de maneira preocupante.
Além disso, uma pesquisa da organização sem fins lucrativos Kyoiku no Mori revelou que quase noventa por cento dos diretores já lidaram com afastamentos desse tipo. Por isso, a sobrecarga psicológica e de trabalho afeta diretamente a gestão das instituições de ensino. Nesse sentido, a escassez de profissionais substitutos agrava ainda mais a rotina das turmas nas escolas.
Sobrecarga dos diretores e falta de substitutos
Por outro lado, mais de oitenta e seis por cento dos gestores escolares afirmaram sentir um peso excessivo ao administrar esses casos. Assim, o principal obstáculo citado por oitenta e sete por cento dos entrevistados foi a dificuldade de encontrar docentes substitutos e redistribuir as tarefas de forma equilibrada. Consequentemente, muitos diretores relatam forte ansiedade por receio de piorar a situação dos funcionários ao tentar oferecer conselhos.
Da mesma forma, coordenar contatos com médicos e conduzir reuniões com cautela foram desafios apontados pela maioria dos administradores. Em virtude disso, casos em que o profissional em recuperação se muda para a casa de familiares exigem longas viagens de acompanhamento. Do mesmo modo, a falta crônica de docentes no país dificulta o preenchimento rápido das vagas abertas.
Causas do esgotamento e propostas de apoio
Paralelamente, o levantamento governamental aponta que a instrução e o apoio direto aos alunos representam mais de vinte e seis por cento das causas de afastamento. Igualmente, conflitos interpessoais no ambiente de trabalho e o excesso de tarefas administrativas completam os principais fatores de estresse. Nesse contexto, entidades de apoio cobram medidas urgentes dos conselhos locais de educação.
Por fim, a organização Kyoiku no Mori recomendou a criação de equipes especializadas com médicos e enfermeiros do trabalho para acompanhar as licenças. “Seria difícil reduzir a zero o número de professores que se afastam do trabalho por motivos de saúde mental” disse Shinji Fujikawa, presidente da entidade. Dessa maneira, a implementação de uma rede de suporte contínuo torna-se essencial para proteger tanto os docentes quanto a administração das escolas.
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