Estudo mostra que dificuldade para ouvir tem mais impacto na demência do que sedentarismo e colesterol alto entre japoneses
Uma pesquisa realizada por um grupo da Universidade Tokai e outras instituições concluiu que a perda auditiva é o fator de risco que mais influencia o desenvolvimento da demência entre os japoneses. O estudo analisou 14 fatores considerados evitáveis ou tratáveis, como sedentarismo, colesterol alto e isolamento social.
Pesquisas sobre prevenção da demência já vinham sendo feitas no exterior. Em um relatório publicado há dois anos, a revista médica internacional The Lancet apontou 14 fatores de risco que podem ser reduzidos, excluindo o envelhecimento natural.
O grupo liderado pelo professor Koichiro Wasano, da Faculdade de Medicina da Universidade Tokai, analisou dados de pesquisas nacionais de saúde e nutrição para medir o impacto desses fatores na população japonesa.
O resultado mostrou que a perda auditiva tem o maior peso, com impacto estimado em 6,7%. Em seguida aparecem o sedentarismo, com 6%, o colesterol alto, com 4,5%, e o isolamento social, com 3,5%.
Outros fatores analisados foram diabetes, pressão alta, depressão, poluição do ar, tabagismo, baixo nível educacional, consumo excessivo de álcool, traumatismo craniano, obesidade e problemas de visão.
Segundo o estudo, muitas pessoas com dificuldade para ouvir não procuram atendimento médico. Uma pesquisa divulgada há três anos por uma associação de fabricantes de aparelhos auditivos mostrou que mais de 60% das pessoas que percebem perda de audição não vão ao médico.
O professor Wasano explicou que, quando a audição piora, o cérebro recebe menos estímulos sonoros variados, o que reduz a atividade cerebral e pode contribuir para a demência. Ele recomenda que pessoas que percebam dificuldade para ouvir procurem um otorrinolaringologista e utilizem aparelhos auditivos quando necessário.
O estudo também estimou que, se cada um dos 14 fatores de risco for reduzido em 10% por meio de tratamento ou mudanças no estilo de vida, cerca de 208 mil casos de demência poderiam ser evitados no futuro.
De acordo com o Ministério da Saúde do Japão, mais de 4,7 milhões de idosos viviam com demência no país no ano passado. Além disso, cerca de 5,6 milhões tinham comprometimento cognitivo leve, condição que apresenta falhas de memória, mas ainda não é considerada demência.
Especialistas reforçam que cuidar da audição pode melhorar a qualidade de vida, aumentar a participação social e ajudar na prevenção da demência. Hospitais universitários, como o da Universidade de Osaka, já oferecem atendimentos especializados para avaliação auditiva e adaptação de aparelhos, inclusive para pessoas mais jovens.
