Cidades ao redor do Monte Fuji pedem restrições mais rígidas e cobrança de resgates fora da temporada

Prefeitos de Shizuoka defendem proibição de escaladas no período de inverno e querem que montanhistas arquem com os custos de operações de salvamento

Cidades de Shizuoka, no Japão, solicitaram ao governo a criação de regras mais rígidas para impedir escaladas no Monte Fuji fora da temporada oficial de verão. Além disso, os municípios defendem que montanhistas resgatados durante períodos de restrição sejam obrigados a pagar integralmente os custos das operações de salvamento.

O pedido foi apresentado em 19 de junho por uma conferência formada por representantes de quatro cidades e um município localizados na região do Monte Fuji. O documento foi entregue ao governador de Shizuoka, Yasutomo Suzuki, na sede do governo.

Segundo os prefeitos, é necessário reforçar a fiscalização para impedir a entrada de pessoas nas trilhas de montanha quando as estradas estão oficialmente fechadas. O grupo também propôs a criação de uma legislação específica para restringir o acesso ao Monte Fuji durante o inverno e outras épocas fora da temporada de escalada.

Os líderes municipais argumentam que as condições climáticas são mais perigosas nesse período e que a maioria dos abrigos de montanha permanece fechada, aumentando os riscos para os visitantes. Eles afirmam que acidentes podem colocar em perigo não apenas os escaladores, mas também equipes de resgate e bombeiros envolvidos nas operações de salvamento.

Outro ponto destacado no pedido é a criação de um sistema que obrigue montanhistas resgatados a assumir os custos das operações realizadas quando as trilhas estiverem oficialmente fechadas. A medida é vista como uma forma de reduzir o número de pessoas que ignoram as recomendações de segurança.

O prefeito de Fujinomiya, Hidetada Sudo, afirmou que o objetivo é evitar acidentes e proteger os profissionais que participam dos resgates. Segundo ele, não é justo que os municípios arquem com todas as despesas enquanto os montanhistas resgatados não pagam pelos serviços prestados.

Já o prefeito de Gotemba, Masami Katsumata, destacou que o fechamento dos alojamentos e a falta de estrutura de apoio tornam as escaladas fora da temporada especialmente perigosas. Ele também alertou que tragédias na montanha podem prejudicar a imagem do Monte Fuji, reconhecido mundialmente como Patrimônio Cultural da Humanidade.

O governo das cidades de Shizuoka e Yamanashi já analisa alternativas para restringir o acesso à montanha e cobrar pelo uso de helicópteros em operações de emergência. No entanto, a implementação da cobrança exigiria alterações em leis nacionais relacionadas à atuação da polícia e dos serviços de combate a desastres.

Após receber a solicitação, o governador Yasutomo Suzuki afirmou que o tema está sendo analisado com atenção e que todas as possibilidades estão sendo consideradas. Apesar disso, ele reconheceu que mudanças legais dependem também do governo central japonês e podem enfrentar dificuldades para serem aprovadas.

O debate sobre a segurança no Monte Fuji tem ganhado força nos últimos anos devido ao aumento do número de visitantes e à ocorrência de resgates de pessoas que tentam subir a montanha em condições consideradas inadequadas pelas autoridades.