Plano do governo prevê arsenais controlados pelo Estado, fortalecimento da segurança econômica e ampliação da capacidade de defesa do país
O governo do Japão está avaliando a criação de fábricas estatais de armamentos para fortalecer a capacidade de produção de equipamentos militares em situações de emergência. A proposta faz parte de um rascunho da política básica de gestão econômica e fiscal do país, cuja elaboração deverá ser concluída em julho.
O plano prevê a criação de arsenais estatais, instalações que seriam de propriedade do governo, mas cuja produção seria realizada por empresas privadas. A medida busca garantir o fornecimento contínuo de equipamentos considerados estratégicos para a defesa nacional.
Segundo o documento, o objetivo é assegurar a capacidade operacional sustentada das Forças de Autodefesa do Japão, especialmente em cenários de crise ou conflito. Entre os itens que poderão ser produzidos nessas unidades estão munições, mísseis e outros equipamentos militares considerados essenciais e de difícil fornecimento regular.
O governo também estuda criar uma entidade com participação estatal para administrar aspectos relacionados à produção e à gestão das futuras fábricas.
A proposta faz parte de uma ampla revisão das políticas de segurança nacional do Japão. O tema já havia sido incluído em acordos políticos entre o Partido Liberal Democrata, que lidera o governo, e o partido Nippon Ishin, uma das principais siglas da oposição.
A expectativa é que o projeto seja incorporado aos três principais documentos de segurança nacional do país, incluindo a Estratégia de Segurança Nacional, cuja atualização está prevista para este ano.
Além da área militar, o governo japonês pretende reforçar a chamada segurança econômica. O plano prevê que o Secretariado de Segurança Nacional atue como órgão central de coordenação para avaliar riscos que possam afetar setores estratégicos, incluindo transporte, logística e infraestrutura.
Outra medida prevista é a criação, ainda neste ano fiscal, de um centro de estudos especializado em segurança econômica. O governo também pretende ampliar o controle sobre investimentos estrangeiros para evitar vazamento de tecnologias sensíveis e proteger setores considerados estratégicos.
As regras para a entrada de estudantes internacionais e pesquisadores estrangeiros também deverão ser endurecidas, com o objetivo de reduzir riscos relacionados à transferência de conhecimento tecnológico.
Na área de inteligência, o Japão planeja investir no desenvolvimento de sistemas avançados de comunicação e coleta de informações utilizando inteligência artificial e outras tecnologias modernas. O governo também pretende ampliar sua capacidade de monitorar operações de influência estrangeira, incluindo campanhas de desinformação.
O setor energético também aparece entre as prioridades do novo plano. O documento destaca a intenção de acelerar a reativação de reatores nucleares com cooperação entre governo e iniciativa privada. Além disso, autoridades estudam revisar normas de segurança e fortalecer mecanismos de controle antes do início das operações de uma instalação destinada ao reprocessamento de combustível nuclear.
O governo pretende apresentar projetos de lei relacionados às novas medidas durante a próxima sessão ordinária do Parlamento japonês.
A iniciativa reflete a crescente preocupação do Japão com a segurança nacional diante das mudanças no cenário geopolítico internacional e do aumento das tensões na região da Ásia-Pacífico.
