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Yayoi Kusama, ícone da arte contemporânea japonesa morre aos 97 anos

Luiz Gustavo Pinheiro 28/08/2026

A artista Yayoi Kusama faleceu aos 97 anos. Suas obras com bolinhas, abóboras e Salas Infinitas inspiraram o mundo e grandes colaborações.

A artista japonesa Yayoi Kusama, cujas criações icônicas com bolinhas, esculturas de abóboras e as famosas “Salas Infinitas” (Infinity Mirror Rooms) cativaram o público em todo o mundo, faleceu no dia 14 de agosto, aos 97 anos. O anúncio oficial de sua morte foi feito por seu escritório no dia 27 de agosto, marcando o fim de uma jornada de mais de sete décadas que a levou de uma artista de vanguarda obscura a um dos nomes mais reconhecíveis da arte contemporânea global.

A arte como cura e superação

A ascensão de Yayoi Kusama ao status de ícone global é ainda mais notável por ter ocorrido apesar de suas lutas vitalícias contra doenças mentais. Nascida em Matsumoto, na província de Nagano, em 1929, ela sofreu com alucinações desde a infância, vendo bolinhas flutuarem diante de seus olhos e ouvindo vozes.

Em vez de sucumbir, ela transformou essas experiências em sua visão artística distintiva. Aos 10 anos, já pintava o que descreveu como um retrato de sua mãe coberta de bolinhas. Kusama frequentemente afirmava que continuava criando arte como uma forma de superar sua doença. Suas pinturas repetitivas de redes e bolinhas, assim como as protuberâncias macias que cobriam suas esculturas, eram reflexos diretos de seu mundo interior e de um ambiente familiar rígido que ela buscava transcender.

Yayoi Kusama em uma de suas obras em exibição global (Imagem: Redes Sociais)

De Nova York ao fenômeno global

Após estudar pintura tradicional japonesa em Kyoto, Kusama mudou-se para os Estados Unidos em 1957, estabelecendo-se em Nova York. Lá, ganhou reconhecimento na cena de vanguarda do final dos anos 1950. Em meados da década de 1960, ela expandiu seu trabalho para a performance art, muitas vezes ligada a protestos contra a Guerra do Vietnã.

Ao retornar ao Japão em 1973, ela enfrentou um período de menor aceitação, com suas atividades nos EUA frequentemente retratadas de forma escandalosa pela crítica. No entanto, ela nunca parou de produzir. Mesmo vivendo em um hospital nas últimas décadas, continuou criando obras que a tornariam uma das artistas mais famosas do mundo.

Sua reputação internacional decolou após representar o Japão na Bienal de Veneza de 1993, desencadeando uma reavaliação de seu trabalho. No século 21, Yayoi Kusama se tornou um fenômeno cultural. Suas exposições esgotavam ingressos, e suas colaborações, como a histórica parceria com a grife de luxo Louis Vuitton, levaram sua arte inovadora a um público muito além dos museus e galerias.

Reconhecimento institucional e legado eterno

O governo japonês reconheceu a imensa contribuição de Kusama para a cultura do país. Em 2016, ela recebeu a prestigiosa Ordem da Cultura do Japão. No ano seguinte, o Museu Yayoi Kusama foi inaugurado no bairro de Shinjuku, em Tóquio, consolidando seu legado para as futuras gerações.

A icônica “Abóbora Amarela” de Yayoi Kusama fica na extremidade de um píer na ilha de Naoshima, na província de Kagawa, um símbolo do destino artístico que atrai visitantes de todo o mundo. (Imagem via Asahi Shimbun)

Tadanori Yokoo, outro artista japonês de renome internacional cuja carreira se sobrepôs à de Kusama, a descreveu como “uma figura icônica, quase uma presença semelhante a uma rainha na arte contemporânea japonesa”. Ele destacou que, em um mundo cheio de arte conceitual, ela se destacava por ser única, pura e livre, fiel às impressões que brotavam de dentro de si.

Em sua autobiografia publicada em 2002, Kusama escreveu: “Agora é o melhor momento da minha vida”. Sobre seu desejo incansável de criar, ela uma vez declarou: “Quero continuar pintando até morrer. E quando eu nascer de novo, é claro que me tornarei uma artista”.

Com informações de: The Asahi Shimbun e The Japan Times.

Tags: Arte Artistas Falecimentos yayoi kusama

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